991 - TRAJETÓRIA DA OBESIDADE ABDOMINAL E ESTILO DE VIDA EM MULHERES PARTICIPANTES DO ELSA-BRASIL
Instituto Gonçalo Moniz/FIOCRUZ; Instituto de Saúde Coletiva/UFBA; Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.
Antecedentes/Objetivos: A obesidade abdominal (OA) é caracterizada pelo acúmulo de gordura na região do abdômen e está associada ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão entre outras. O objetivo da pesquisa foi identificar a associação entre a trajetória da obesidade abdominal e fatores sociodemográficos e de estilo de vida em mulheres participantes da coorte ELSA-Brasil.
Métodos: O estudo tem um delineamento longitudinal e analisou as participantes da linha de base (2008-2010), do 1.º (2012-2014) e 2.º (2016-2018) seguimentos da coorte ELSA-Brasil. Foram avaliadas mulheres do coorte ELSA-Brasil. A variável atividade física foi avaliada através do IPAQ e a variável obesidade abdominal foi avaliada a partir da circunferência da cintura, com o ponto de corte > 88 cm.
Resultados: Na caracterização da amostra, na linha de base, as mulheres eram mais jovens (48,8%), brancas (52,1%), o nível de escolaridade mais alto (56,1%) e 43,3% das mulheres já apresentavam obesidade abdominal. No segundo seguimento, as mulheres estavam na faixa etária entre 51 e 59 anos (37,3%) e o percentual de obesidade abdominal (60,3%). Quando foi avaliada a trajetória da obesidade abdominal, nas três etapas do estudo, 33,8% não apresentaram obesidade abdominal em nenhuma etapa, 28% apresentaram obesidade abdominal em alguma das etapas e 38,2% apresentaram obesidade abdominal na linha de base e no 1.º e 2.º seguimentos. A obesidade abdominal foi associada ao tabagismo, a atividade física e a classe social (p = 0,000). Não foi observado associação entre etilismo e OA. Entre aqueles com OA nas três etapas, observou-se maiores níveis de atividade física leve (78,7%), 29,1% eram ex-fumantes e 7,7% eram fumantes. Quanto à classe social, aquelas com OA, 47,9% daquelas com OA tinham baixa classe social e 31,4% tinham classe social alta.
Conclusões/Recomendações: Os resultados desse estudo mostraram que indicadores comportamentais modificáveis e socioeconômicos estão relacionadas à obesidade abdominal, portanto políticas públicas e intervenções na saúde podem promover melhoras na saúde das mulheres brasileiras.